
Sempre gostei muito de romãs, de trincar aqueles bagos pequeninos e saborear o seu suco.
Romã é também uma memória de infância já que todos os amigos do meu pai me chamavam romãzinha. Se ele era o Romão que mais podia eu ser? Confesso que não achava muita piada mas, como sempre fui tímida, nunca disse nada e ainda bem, porque era bonito e carinhoso.
Da minha vida citadina não fazia parte a observação das árvores e das plantas, nem mesmo quando passeávamos pelos campos ou quando estava no Alentejo em casa dos meus avós. Perdia-me muitas vezes a olhar para as libelinhas cujo zunzum e rodopio me levavam para outras dimensões e me faziam esquecer da realidade.
Apesar de tudo sabia o que eram oliveiras e sobreiros e ficava por aqui o meu conhecimento de silvicultura. Assim, só há poucos anos fui apresentada a uma romãzeira e, fiquei apaixonada por ela. Sem ser de grande porte era imponente e as suas flores alaranjadas lembravam pequenas coroas dando-lhe um toque alegremente aristocrático.
Ontem, ao fim da tarde, dei de caras com uma no Jardim das Amoreiras. Já tinha passado por ela dezenas de vezes sem a reconhecer mas agora ela está florida e era impossível não dar por ela! Parei, andei por ali à volta observando cada pormenor e inalando o seu odor subtil e agradável. Despedi-me contente por saber que a vou encontrar em breve e segui para a minha aula de yoga com a alma cheia de laranja e verde.
Foi um bom encontro e um excelente final de dia.