Friday, July 17, 2009

Chiado


Perguntaram-me há dias porque é que o Chiado faz parte do nosso património - deixo aqui a resposta.
"O Chiado faz parte do nosso património porque o Chiado é o coração de Lisboa - o lugar que resiste e não morre.
Renasceu depois do terramoto de 1755 graças à visão iluminista do Marquês de Pombal que, apesar de publicamente não ser apontado como um defensor dos ideais maçónicos se socorreu de dois irmãos: os arquitectos Carlos Mardel e Eugénio dos Santos.
A olhares profanos ou a olhos menos atentos, toda a Baixa Pombalina esconde um imenso manancial simbólico: ruas traçadas a régua e esquadro para aprendizes e companheiros e, um pouco de compasso para os Mestres. O Marquês, contando com a genialidade simbólica de Mardel e Eugénio, fez da sua cidade um gigantesco Templo e quem sabe uma pequena "câmara do meio". Tudo a céu aberto desafiando as mentes da época e do futuro.
O Chiado é uma área-chave da estrutura de Lisboa, da sua imagem e da sua memória. Por isso a história do Chiado é também e, principalmente, a história dos seus edifícios.
Na Igreja dos Mártires foi baptizado Fernando Pessoa em 1888.
Na antiga paróquia dos Mártires administrou-se em 1147 o primeiro baptismo depois da tomada de Lisboa aos mouros.
Franz Litz tocou no Convento do Carmo.
A Brasileira, O Tavares e o Grémio Literário estão entre os cafés, restaurantes e clubes do Chiado que se tornaram autênticas instituições de Lisboa e de Portugal. Não eram apenas locais de convívio, eram também centros difusores de novas ideias culturais e políticas, pontos de encontro de artistas e de escritores, de intelectuais e de homens de Estado. Almeida Garret, Alexandre Herculano, Fontes Pereira de Melo, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, António José de Almeida, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, M Helena Vieira da Silva e, o homem que mais o fez viver na sua obra : Eça de Queirós.
Terreno privilegiado para o florescimento de inúmeras tertúlias, o Chiado é também a zona por excelência das grandes instituições culturais. A Academia Nacional de Belas Artes, o Teatro de S.Luis e o Teatro Nacional de S. Carlos. Foi neste último que o futuro hino da República e de Portugal teve a sua apoteose durante uma récita a favor do movimento nacional contra o Ultimatum . É verdade "A Portuguesa" nasceu no Chiado - Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça moraram neste bairro.
E, mais recentemente depois do incêndio de 1988, esse mesmo Chiado voltou a renascer!

Friday, July 10, 2009

Fora de tempo


Ontem, ao fim da tarde, cruzei-me com uma 4 L igualzinha à que tive pelos anos 80. Muito gostei eu daquele carrito!!!
Muitos foram os quilómetros que fizemos juntos - ir até Veneza de carro ainda demora algum tempo e, eu fui.
Descrever as viagens que fiz com ele, as peripécias por que passei, dá quase para escrever um livro de memórias. Quem sabe se não o farei um dia destes.
Para já fica a foto do lindinho - FO-03-11.

Tuesday, July 07, 2009

Fogos de artifício

De vez em quando parece que nos perdemos no caminho ou que mudamos de rumo nas encruzilhadas que nos baralham os sentidos. É como ficarmos encandeados pelo Sol poente quando nos bate directamente nos olhos tirando-nos a capacidade de raciocínio.
Aparentemente caminhamos seguros e convictos de que está tudo controlado. Puro engano!
Esquecemo-nos que nunca estamos sózinhos ainda que à nossa volta não vejamos ninguém. As informações que continuamente recebemos influenciam-nos a cada passo, fazendo emergir memórias do passado que julgavámos definitivamente arrumadas. E o pior é quando essas memórias nos lembram períodos menos bons das nossas vidas, nos angustiam, desenvolvendo uma raiva crescente que parece querer explodir e arrasar tudo à nossa volta.
Aconteceu-me na semana passada e sei que devia ter dito cara-a-cara à pessoa certa que era um hipócrita egoísta. Não o pude fazer por ausência desta e fiquei rouca!
Estranha a fragilidade do nosso corpo terreno que ao mesmo tempo se revela um barómetro preciso do nosso equilíbrio menos físico.
Estarmos atentos aos sinais de todos os dias é a nossa tarefa mais importante. Através deles conseguimos compreender onde estão as nossas fraquezas e, fortalecermo-nos para os desafios subsequentes.
Não é um caminho fácil bem me avisaram... é um alerta constante que nos permite fazer as correcções necessárias para não nos perdermos no caminho, para sabermos fazer as melhores escolhas de entre as múltiplas ofertas com que somos bombardeados sem descanso.
Parar para meditar tem-se tornado imperativo para o meu discernimento e para a minha paz interior.
Retomo o meu percurso e mais uma vez sigo em frente tentando não me desviar do objectivo a que me propus!