Saturday, December 11, 2010

Amigos

Conheci este hibisco ainda bébé e agora é este arbusto bonito e vistoso.
Faz-me lembrar a Amizade: aparece ténue, vai-se enraizando, cresce, floresce e dá-nos o prazer de enriquecer o mundo à nossa volta!
É bom ter Amigos, sentir que quando precisamos eles estão perto, disponíveis e atentos. Tempos houve em que pensava poder resolver tudo sózinha e que errada eu estava...
A ansiedade resultante dum tempo de espera tem sido mais suportável porque os meus Amigos falam comigo, perguntam-me o que é que eu preciso, aliviam-me os monólogos que ainda teimo em construir.
Obrigada a todos! - cada flor deste hibisco é um abraço para cada um de vocês.

Tuesday, September 07, 2010

Múrmurios...


Depois dos calores de verão recomeçar com as pequenas rotinas parece-me cada vez mais estranho.
O Outono aproxima-se e a luz do sol já não tem a intensidade dos primeiros dias de Agosto.
Á minha volta sinto a ansiedade de quem tem horários a cumprir. Acabadas as férias resta-lhes a pele tisnada e a lembrança dos dias que dispensavam o relógio.
Gosto particularmente desta época em que, apesar dos dias ainda quentes, as noites nos convidam ao aconchego dum pequeno agasalho.
Há já um ano que gozo a liberdade dos descompromissos e das desobrigações profissionais. Olhando para trás é como ver um filme do qual nunca fiz parte, em que sou apenas espectadora dum percurso que me escapou tantas vezes por entre os dedos...
O meu caminho esteve tão cheio de gente de mentira mas, sem a qual, não teria sido capaz de crescer tanto - parece um paradoxo mas, não é! Os obstáculos com que fui deparando fortaleceram-me a vontade e o amor-próprio.
Comigo caminharam, felizmente, muitas almas sintonizadas com a minha e, também elas me deram força para continuar quando o corpo se recusava a fazê-lo.
Estou feliz com o tempo de que agora disponho. Estou feliz porque me sinto muito amada e porque amo todos aqueles que me fazem sentir especial.
Estou feliz porque amo esta tranquilidade de viver no meio da multidão apressada pelo ritmo que impõe a si mesma. Gosto de sentir o pulsar da minha cidade, desacelerando, criando o meu caminho e, acertando o passo sómente com o que me dá prazer!

Sunday, April 18, 2010

Primavera


Gosto muito das estações "ditas" intermédias: a Primavera e o Outono.
Tenho até dificuldade em decidir de qual das duas gosto mais. Ambas nos proporcionam uma panóplia de cores capaz de nos apaziguar o espírito, desde que estejamos atentos ao que a Natureza nos oferece!
E se o Outono é feito de verdes, laranjas e castanhos, na Primavera podemos encontrar todas as cores do arco-iris, desdobradas em múltiplas variantes que me fazem acreditar que nem só os números são infinitos.
Quando era pequena ia com a minha mãe apanhar a espiga (algures em Maio) - ao pé de nossa casa havia uma quinta enorme plantada de trigo e com muitas flores silvestres.
Sabia que o ramo deveria ter um ramo de oliveira, sinónimo de paz, três espigas de trigo que representavam a abundância e, papoilas e malmequeres para que houvesse alegria.
Esta última parte era, para mim, a mais difícil de cumprir porque havia tantas flores... queria apanhar uma de cada até o ramo ser tão grande que não me coubesse na mão.
Hoje acho uma pena colherem-se flores. Ficam tão bonitas na terra, misturadas umas com as outras sem se preocuparem com a cor ou a origem de cada uma numa verdadeira demonstração de coexistência pacífica.
É tão importante observar a natureza e, aprender com ela!

Friday, March 26, 2010

Escolhas...


A alegria de fazer o que se gosta preenche-nos a vida e diminui a necessidade de ter, de amealhar, de possuir. Afinal, precisamos de muito pouco para nos sentirmos bem e o que ganhamos com esta atitude é incomensurável.
A Carla professou e é agora uma Carmelita risonha que cumpriu o seu sonho. Tenho-me questionado se eu seria capaz de voltar as costas ao mundo terreno desta forma. Acho que não! Ou talvez não depois de ser mãe de dois filhos maravilhosos e, antes disso, estava longe de ser o que sou hoje!
Tem sido longo o caminho de aprendizagem, nem sempre fácil mas, compensador pela quietude que vou conquistando. A paz que sinto resulta do facto de precisar cada vez mais de menos coisas, embora os afectos continuem a ser muito importantes na minha vida.
Sinto-me livre como nunca me senti rodeada de Amigos que partilham comigo esta forma de ser e de estar.
Destes Amigos destaco dois: a Sílvia e o Telmo a quem dedico um verdadeiro Amor Incondicional agradecendo-lhes a dádiva divina de serem meus filhos.

Monday, September 28, 2009

Á descoberta do meu bairro

Nestes tempos em que procuro o meu caminho, tudo se me apresenta como uma grande novidade.
No meu bairro descobri que ainda existe comércio à antiga, lojas onde me tratam pelo nome e me pedem para pagar depois quando não têm troco.
Existe um sapateiro super simpático, uma lavandaria polivalente que vende empadas caseiras, uma casa de arranjos de costura que faz roupas por medida e uma drogaria com serviços de vidraceiro!
Mas a minha loja preferida é o lugar da fruta com uma senhora simpática e disponível para recomendar o que tem de melhor, enquanto me vai contando as histórias dos filhos adolescentes, em estilo de desabafo. Também gosta de falar sobre as velhinhas que lá vão só para darem dois dedos de conversa, tentando minimizar a extrema solidão em que vivem...
Gosto de ouvir a Belmira e, admiro a sua boa disposição - as muitas horas de trabalho diário não lhe apagam o sorriso bondoso. Atenta, sabe que por lá passa à tardinha na esperança de levar alguma fruta, daquela que já não é possível vender no dia seguinte.
O cansaço apenas transparece num suspiro pontual para aliviar a pressão no peito. Os olhos transparentes e as feições harmoniosas fazem antever a grande alma que por ali habita.
Só a minha recente liberdade me permite olhar com mais atenção para o que me rodeia e descobrir tantas coisas sobre pessoas que se cruzam comigo há mais de trinta anos.
Os meus dias têm estado cheios de surpresas agradáveis e a minha vida cada vez mais rica!

Wednesday, August 12, 2009

E o Sol que torna tudo mais branco....


Era pequena e esta era a frase que ouvia frequentemente a minha avó dizer. Por isso, a roupa lavada era estendida no campo, ao Sol, por cima das estevas e, lá ficava a secar.
Esse tempo de espera era aproveitado pelos mais pequenos para as correrias que se não podiam fazer em casa. Sobretudo para mim que vivia em Lisboa num andar, sem ninguém da minha idade para brincar, era uma ocasião maravilhosa! Corria até ficar a transpirar e ria, ria até ficar sem fôlego.
Era no verão que encontrava a minha família quando aproveitava as férias grandes para sair de Lisboa onde vivia com os meus Pais.
Gostava tanto daquela partilha de tempo que nem me incomodavam os comentários jocosos que faziam ao meu sotaque lisboeta. Ria-me para dentro quando os ouvia falar uns com os outros e, nem perguntava o significado de algumas palavras que só os locais entendiam. Ria-me para dentro para não os magoar, para não acharem que estava a gozar com eles e, porque queria muito que gostassem de mim, a menina ausente que só por lá aparecia no verão...

Tuesday, August 04, 2009

Estrelas no Céu

A nossa vida é uma escolha nossa, de todos os dias.
À força de acreditarmos em nós próprios as coisas acontecem, tal qual as projectámos no pensamento.
De repente todos os nós, lios e embaraços se começam a desatar e a nossa realidade passa a ser mais bonita porque já não é um sonho.
Cada dia, cada minuto tornam-se mais intensos e o tempo quase deixa de existir... apenas é.
Nesse instante recuperamos o prazer de olhar o céu e fixarmos as nossas estrelas! - apesar de tão longe temos a certeza que tomam conta de nós.
É bom sabermos que não estamos sózinhos.