Monday, September 28, 2009

Á descoberta do meu bairro

Nestes tempos em que procuro o meu caminho, tudo se me apresenta como uma grande novidade.
No meu bairro descobri que ainda existe comércio à antiga, lojas onde me tratam pelo nome e me pedem para pagar depois quando não têm troco.
Existe um sapateiro super simpático, uma lavandaria polivalente que vende empadas caseiras, uma casa de arranjos de costura que faz roupas por medida e uma drogaria com serviços de vidraceiro!
Mas a minha loja preferida é o lugar da fruta com uma senhora simpática e disponível para recomendar o que tem de melhor, enquanto me vai contando as histórias dos filhos adolescentes, em estilo de desabafo. Também gosta de falar sobre as velhinhas que lá vão só para darem dois dedos de conversa, tentando minimizar a extrema solidão em que vivem...
Gosto de ouvir a Belmira e, admiro a sua boa disposição - as muitas horas de trabalho diário não lhe apagam o sorriso bondoso. Atenta, sabe que por lá passa à tardinha na esperança de levar alguma fruta, daquela que já não é possível vender no dia seguinte.
O cansaço apenas transparece num suspiro pontual para aliviar a pressão no peito. Os olhos transparentes e as feições harmoniosas fazem antever a grande alma que por ali habita.
Só a minha recente liberdade me permite olhar com mais atenção para o que me rodeia e descobrir tantas coisas sobre pessoas que se cruzam comigo há mais de trinta anos.
Os meus dias têm estado cheios de surpresas agradáveis e a minha vida cada vez mais rica!

Wednesday, August 12, 2009

E o Sol que torna tudo mais branco....


Era pequena e esta era a frase que ouvia frequentemente a minha avó dizer. Por isso, a roupa lavada era estendida no campo, ao Sol, por cima das estevas e, lá ficava a secar.
Esse tempo de espera era aproveitado pelos mais pequenos para as correrias que se não podiam fazer em casa. Sobretudo para mim que vivia em Lisboa num andar, sem ninguém da minha idade para brincar, era uma ocasião maravilhosa! Corria até ficar a transpirar e ria, ria até ficar sem fôlego.
Era no verão que encontrava a minha família quando aproveitava as férias grandes para sair de Lisboa onde vivia com os meus Pais.
Gostava tanto daquela partilha de tempo que nem me incomodavam os comentários jocosos que faziam ao meu sotaque lisboeta. Ria-me para dentro quando os ouvia falar uns com os outros e, nem perguntava o significado de algumas palavras que só os locais entendiam. Ria-me para dentro para não os magoar, para não acharem que estava a gozar com eles e, porque queria muito que gostassem de mim, a menina ausente que só por lá aparecia no verão...

Tuesday, August 04, 2009

Estrelas no Céu

A nossa vida é uma escolha nossa, de todos os dias.
À força de acreditarmos em nós próprios as coisas acontecem, tal qual as projectámos no pensamento.
De repente todos os nós, lios e embaraços se começam a desatar e a nossa realidade passa a ser mais bonita porque já não é um sonho.
Cada dia, cada minuto tornam-se mais intensos e o tempo quase deixa de existir... apenas é.
Nesse instante recuperamos o prazer de olhar o céu e fixarmos as nossas estrelas! - apesar de tão longe temos a certeza que tomam conta de nós.
É bom sabermos que não estamos sózinhos.

Friday, July 17, 2009

Chiado


Perguntaram-me há dias porque é que o Chiado faz parte do nosso património - deixo aqui a resposta.
"O Chiado faz parte do nosso património porque o Chiado é o coração de Lisboa - o lugar que resiste e não morre.
Renasceu depois do terramoto de 1755 graças à visão iluminista do Marquês de Pombal que, apesar de publicamente não ser apontado como um defensor dos ideais maçónicos se socorreu de dois irmãos: os arquitectos Carlos Mardel e Eugénio dos Santos.
A olhares profanos ou a olhos menos atentos, toda a Baixa Pombalina esconde um imenso manancial simbólico: ruas traçadas a régua e esquadro para aprendizes e companheiros e, um pouco de compasso para os Mestres. O Marquês, contando com a genialidade simbólica de Mardel e Eugénio, fez da sua cidade um gigantesco Templo e quem sabe uma pequena "câmara do meio". Tudo a céu aberto desafiando as mentes da época e do futuro.
O Chiado é uma área-chave da estrutura de Lisboa, da sua imagem e da sua memória. Por isso a história do Chiado é também e, principalmente, a história dos seus edifícios.
Na Igreja dos Mártires foi baptizado Fernando Pessoa em 1888.
Na antiga paróquia dos Mártires administrou-se em 1147 o primeiro baptismo depois da tomada de Lisboa aos mouros.
Franz Litz tocou no Convento do Carmo.
A Brasileira, O Tavares e o Grémio Literário estão entre os cafés, restaurantes e clubes do Chiado que se tornaram autênticas instituições de Lisboa e de Portugal. Não eram apenas locais de convívio, eram também centros difusores de novas ideias culturais e políticas, pontos de encontro de artistas e de escritores, de intelectuais e de homens de Estado. Almeida Garret, Alexandre Herculano, Fontes Pereira de Melo, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro, António José de Almeida, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, M Helena Vieira da Silva e, o homem que mais o fez viver na sua obra : Eça de Queirós.
Terreno privilegiado para o florescimento de inúmeras tertúlias, o Chiado é também a zona por excelência das grandes instituições culturais. A Academia Nacional de Belas Artes, o Teatro de S.Luis e o Teatro Nacional de S. Carlos. Foi neste último que o futuro hino da República e de Portugal teve a sua apoteose durante uma récita a favor do movimento nacional contra o Ultimatum . É verdade "A Portuguesa" nasceu no Chiado - Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça moraram neste bairro.
E, mais recentemente depois do incêndio de 1988, esse mesmo Chiado voltou a renascer!

Friday, July 10, 2009

Fora de tempo


Ontem, ao fim da tarde, cruzei-me com uma 4 L igualzinha à que tive pelos anos 80. Muito gostei eu daquele carrito!!!
Muitos foram os quilómetros que fizemos juntos - ir até Veneza de carro ainda demora algum tempo e, eu fui.
Descrever as viagens que fiz com ele, as peripécias por que passei, dá quase para escrever um livro de memórias. Quem sabe se não o farei um dia destes.
Para já fica a foto do lindinho - FO-03-11.

Tuesday, July 07, 2009

Fogos de artifício

De vez em quando parece que nos perdemos no caminho ou que mudamos de rumo nas encruzilhadas que nos baralham os sentidos. É como ficarmos encandeados pelo Sol poente quando nos bate directamente nos olhos tirando-nos a capacidade de raciocínio.
Aparentemente caminhamos seguros e convictos de que está tudo controlado. Puro engano!
Esquecemo-nos que nunca estamos sózinhos ainda que à nossa volta não vejamos ninguém. As informações que continuamente recebemos influenciam-nos a cada passo, fazendo emergir memórias do passado que julgavámos definitivamente arrumadas. E o pior é quando essas memórias nos lembram períodos menos bons das nossas vidas, nos angustiam, desenvolvendo uma raiva crescente que parece querer explodir e arrasar tudo à nossa volta.
Aconteceu-me na semana passada e sei que devia ter dito cara-a-cara à pessoa certa que era um hipócrita egoísta. Não o pude fazer por ausência desta e fiquei rouca!
Estranha a fragilidade do nosso corpo terreno que ao mesmo tempo se revela um barómetro preciso do nosso equilíbrio menos físico.
Estarmos atentos aos sinais de todos os dias é a nossa tarefa mais importante. Através deles conseguimos compreender onde estão as nossas fraquezas e, fortalecermo-nos para os desafios subsequentes.
Não é um caminho fácil bem me avisaram... é um alerta constante que nos permite fazer as correcções necessárias para não nos perdermos no caminho, para sabermos fazer as melhores escolhas de entre as múltiplas ofertas com que somos bombardeados sem descanso.
Parar para meditar tem-se tornado imperativo para o meu discernimento e para a minha paz interior.
Retomo o meu percurso e mais uma vez sigo em frente tentando não me desviar do objectivo a que me propus!

Friday, June 05, 2009

A romãzeira


Sempre gostei muito de romãs, de trincar aqueles bagos pequeninos e saborear o seu suco.
Romã é também uma memória de infância já que todos os amigos do meu pai me chamavam romãzinha. Se ele era o Romão que mais podia eu ser? Confesso que não achava muita piada mas, como sempre fui tímida, nunca disse nada e ainda bem, porque era bonito e carinhoso.
Da minha vida citadina não fazia parte a observação das árvores e das plantas, nem mesmo quando passeávamos pelos campos ou quando estava no Alentejo em casa dos meus avós. Perdia-me muitas vezes a olhar para as libelinhas cujo zunzum e rodopio me levavam para outras dimensões e me faziam esquecer da realidade.
Apesar de tudo sabia o que eram oliveiras e sobreiros e ficava por aqui o meu conhecimento de silvicultura. Assim, só há poucos anos fui apresentada a uma romãzeira e, fiquei apaixonada por ela. Sem ser de grande porte era imponente e as suas flores alaranjadas lembravam pequenas coroas dando-lhe um toque alegremente aristocrático.
Ontem, ao fim da tarde, dei de caras com uma no Jardim das Amoreiras. Já tinha passado por ela dezenas de vezes sem a reconhecer mas agora ela está florida e era impossível não dar por ela! Parei, andei por ali à volta observando cada pormenor e inalando o seu odor subtil e agradável. Despedi-me contente por saber que a vou encontrar em breve e segui para a minha aula de yoga com a alma cheia de laranja e verde.
Foi um bom encontro e um excelente final de dia.

Thursday, June 04, 2009

O começo dum novo tempo

Houve alturas em que me senti numa verdadeira encruzilhada onde foi preciso fazer escolhas. Lutei tanto, cansei-me e, na maioria dos casos, tive de voltar a trás para começar de novo.
As minhas inseguranças fizeram com que não pedisse ajuda o que tornou o caminho mais difícil. Por isso, não me lembro de acordar a achar que a vida era maravilhosa, sem preocupações... amava os meus filhos mas estava sempre preocupada em como pagar as contas e, a educação judaico-cristã que recebi, também não ajudou nada.
Não vou perder tempo a lamentar o passado. Passou! - sinto-me agora mais preparada para entender que a liberdade é um estado de alma, está dentro de cada um de nós e é trabalho de cada um deixá-la emergir.
O meu acordar é cada vez mais leve - talvez porque cada vez mais preciso de menos coisas e, até a família biológica é pequena em número embora, cheia de almas grandes...
Também as encruzilhadas deixaram de fazer parte da minha vida que continua a estar cheia de escolhas. Faço-as agora com maior serenidade, sem sofrimento, aceitando o que a vida me dá com alegria.
É esta a forma que encontrei para ser feliz para nunca me sentir sózinha apesar de órfã!
Bem hajam Todos os que me têm ajudado.